Futebol nacional, prognósticos semanais, classificações, almoços, Futebol Internacional, Politica nacional e o que adiante se verá
publicado por Faisca | Segunda-feira, 04 Maio , 2009, 22:34

Um amigo que eu cá sei escreveu aquilo que eu, se porventura soubesse escrever, hoje aqui escreveria. Acontece que o texto dele foi escrito há já quase 2 meses, mas agora ainda está mais actual. Transcrevo, com a devida vénia :

 

"Quique, o Flores.

Devo confessar, se é que nunca o fiz, que fui um dos que começaram por acreditar. Acreditei, talvez num caso clássico de wishful thinking, que o homem gostava de bola e percebia de bola. Ali por alturas dos jogos em casa com o Nápoles e com o Zbordn, para além dos resultados agradáveis, ficou a nítida sensação de que estávamos a começar a jogar à bola. Depois foi o que se viu.

 

Confesso que, ainda antes disso, comecei por ir atrás da conversa. Creio mesmo que terá sido isso, a conversa, que cativou o Rui Costa. Aliás, passada quase uma época inteira, não vejo o que mais pode ter sido. Agora, já deu para perceber que nem a conversa se aproveita.

 

Que o homem afinal percebe muito menos do assunto do que o Benfica deve exigir a um apanha-bolas, quanto mais ao treinador, foi-se tornando penosamente evidente jornada a jornada. A passagem pela Taça UEFA foi pura e simplesmente patética, e mais ainda se se pensar que tudo começou com a tal noite quase épica do afastamento do Nápoles.


Aquela coisa de jogar com dois trincos contra quem quer que seja pode ser uma óptima solução para o Benfica de Castelo Branco, sem desprimor, mas nem isso é garantido. Para o Sport Lisboa e Benfica é que não é, certamente. Ainda por cima quando, atrás disso, vem o desaproveitamento do Ruben Amorim. E, atrás deste, o esbanjamento do Aimar no lugar que devia ser o do Nuno Gomes, que, por sua vez, passou a ficar no lugar que devia ser o do ponta-de-lança preferido, ou seja, respectivamente, o banco e o Suazo.

 

Dos casos do Léo e do Quim seria melhor nem falar, tal a náusea que me provocaram logo de início. Não contente com deitar para o lixo o único lateral de verdadeiro nível que tivemos nos últimos anos, o homem conseguiu queimar nesse lugar um dos óptimos centrais que tem à disposição. E ver o Moretto outra vez na baliza era coisa que não lembrava nem aos Super Dragões.

 

Tudo isto existiu, tudo isto é triste, mas o pior de tudo é a cobardia. A cobardia dos dois trincos é exasperante, mas a malta, ao longo destes últimos anos, já viu tanta coisa que podia pensar que era apenas estupidez, e não cobardia. Semana após semana, vi o Benfica ter medo do Estrela da Amadora, do Setúbal, do Nacional, do Paços de Ferreira, e tudo isto na Luz. Estranho. Mas quando a coisa chegou ao ponto do regozijo com o empate no Dragão, da maneira que foi, toda e qualquer réstia de tolerância acabou. Até para a estupidez há limites.

 

Claro que ter medo do Zbordn em Alvalade, a pontos de deixar o Zbordn brilhar e só não chegar à cabazada por alguma falta de sorte, também não ajudou. Mas o bichinho do matematicamente possível foi sempre adiando o cada vez mais justificado e necessário lenço branco.


Agora até o matematicamente possível foi às urtigas. Não na matemática pura, aí ainda não. Mas, na matemática aplicada à bola, as possibilidades de o Benfica ser campeão são exactamente as mesmas de o Leixões ser campeão, ou de um árbitro marcar um penálti contra o Febóquelupârto. E nem é tanto por termos perdido com o Guimarães, porque se fosse só isso ainda se aplicava o princípio do matematicamente possível. É pela maneira como foi e, mais ainda, pela conversa depois do jogo.

 

A substituição do Cardozo pelo Nuno Gomes é horrível, mas não era nada que não se esperasse. Vir dizer, com ar de virgem ofendida, que eu e os outros quarenta e oito mil otários tínhamos assobiado o desgraçado do Cardozo, e não a cobardia da substituição, é duplamente cobarde, é nojento e não tem desculpa. Minha, pelo menos, já não tem nem voltará jamais a ter.


Espero que o Rui Costa e o Vieira se deixem de flores e não demorem demasiado tempo a tratar o homem pelo que o homem é: Quique, o Cobarde."

 

O original pode ser lido aqui.

 

 

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